Beck vai com facilidade do brilhante ao duvidoso, além de criar um tanto de coisas que não se encaixam em nenhuma das duas categorias. Um exemplo condensado disso está no primeiro “lançamento” do Record Club, sua mais nova invenção. Ele junta os amigos no estúdio por um dia e recria, faixa a faixa, um álbum de outro artista.
Para começar, escolheu logo The Velvet Underground and Nico (1967), clássico presente em qualquer lista respeitável dos maiores discos da história. Ouvi agora e me surpreendi com três faixas. A originalmente tosca e roqueira Run, Run, Run ficou ótima com roupagem eletrônica. Em The Black Angel’s Death Song, Beck resgata a alma folk da canção. Mas minha favorita é All Tomorrow’s Parties, cantada pela islandesa Thorunn numa versão menos soturna, porém tão bela quanto a original.
Às vezes, ele só inverte expectativas, como na já citada Run, Run, Run e em There She Goes Again, pop no disco do Velvet, estranha e desafinada no de Beck. Só que a primeira ficou boa e a segunda, ruim.
Enfim, é uma brincadeira – ousada, é verdade – que vale a pena ouvir. E está tudo no site do artista, que já traz as primeiras faixas da segunda empreitada do Record Club, Songs of Leonard Cohen, disco de estreia do cantor e compositor canadense, também de 1967.