Nasi solo – e perdido – no BH Music Station
É estranho ver uma banda que conheci no auge e que sempre foi sinônimo de longevidade e boa música se desintegrar. Mais estranho ainda é ver um de seus pedaços de volta aos palcos, buscando se desvencilhar do seu passado, sem muito sucesso. Foi o que senti na madrugada de domingo, no show solo de Nasi, ex-vocalista do Ira!, no festival BH Music Station, que tem como palco as estações do metrô de Belo Horizonte (e como transporte de um show a outro os próprios trens, talvez a melhor coisa do evento).
Nasi ainda tenta, sem conseguir, ser ele mesmo, depois de dividir por tantos anos com Edgard Scandurra a função de ser a alma do Ira! Atira para muitos lados, mas só consegue ser convincente quando toca músicas da velha banda ou quando mostra suas novas composições… que se parecem com as que cantava ao lado dos antigos parceiros, hoje praticamente inimigos.
Fora isso, dá-lhe covers de Renato Russo, Cazuza, Titãs e um set mal ajambrado em homenagem a Raul Seixas, com músicas óbvias como Metamorfose Ambulante. Em Should I Stay or Should I Go, do Clash, outra cover óbvia, Nasi parece se perguntar que rumo tomar. Mas a resposta ele ainda não achou.
***
Não que o show tenha sido deprimente. Longe disso. Nasi sabe como poucos cantar num palco e levantar a platéia, ainda que com o recurso aos manjados artistas e canções citados acima. E a banda segura bem a tarefa de acompanhá-lo. Mas que Scandurra faz falta, faz.
É um pouco a sensação que eu tinha quando comecei a gostar muito de música e comparava as canções dos Beatles com as das carreiras solo de seus ex-integrantes. Eu pensava: esses caras acabaram com a banda para fazer isso? Agora, um bocado de tempo depois, é mais fácil responder essa pergunta do que sugerir um rumo para Nasi. Ora, até os Beatles eram humanos, demasiado humanos.
Poderia dar outros exemplos, mas cito a banda de Liverpool porque acabei de ler a reportagem da Rolling Stone de setembro com os bastidores do fim do grupo mais famoso da história. Se metade do que a matéria conta for verdade, vale dizer que os Beatles sobreviveram até demais aos chiliques de todos, sobretudo John Lennon.
***
Então, como também sou humano, entendo os motivos de tanta desavença, mas me arrisco a dizer que Paul, sem Lennon, continuou a compor lindas melodias, mas perdeu aquela capacidade dos Beatles de cutucar a humanidade; Lennon, sem Paul, até incomodou bastante, mas perdeu um tanto de profundidade musical; Nasi, sem Scandurra, é tão rocker quanto sempre, mas muito parecido com tantos outros rockers por aí; Scandurra, sem Nasi, continua inventando sons que só ele sabe criar, mas agora parece fazer isso para poucos.
Em tempos de parceria ou de cabo de guerra, os talentos e os egos dessas duas duplas (com a indispensável colaboração de George/Ringo e Gaspa/Jung) se completavam e resultavam num trabalho que não existe com eles sozinhos.
Nem sempre é assim, claro. Alguém ainda há de desvendar a receita de Ramones e Rolling Stones para durar tanto, apesar das declaradas brigas entre seus integrantes. No caso dos Ramones, só a morte separou o grupo. Pensando bem, tentar entender a longevidade dessas bandas é tão inócuo – e tão humano – quanto tentar desvendar a receita dos casamentos duradouros.
P.S.: O grande Paulão, que entende bem mais de Ira! do que eu, também não gostou muito do show. A crítica dele está no ótimo Rock’ n’ Bola, no post Hora de se reinventar, de 27 de setembro.

Para mim, a pá de cal foi ver o Nasi no programa da Luciana Gimenes, expondo a briga com a banda, com o pai e com o irmão.
Simplesmente decepcionante. E mais ainda porque há duas horas atrás eu estava ouvindo “Núcleo Base”…
Eu não sabia que o cara tinha ido naquele programa. Só consigo imaginar três motivos pras pessoas irem lá: dinheiro, necessidade de aparecer a qualquer custo e maldade. Deprimente… É um programa de subcelebridades, desprezado até pelas celebridades dignas do nome, ainda que desprezíveis.
ué…se discorda de vc vc deleta???