20/April/2009...12:17 am

Arqueologia 5

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Subterranean Homesick Blues

 

Uma das primeiras canções elétricas de Bob Dylan, um dos primeiros videoclipes modernos da história, uma das melhores músicas do cara. Todos esses atributos estão colados para sempre a Subterranean Homesick Blues.

Eu sou de uma geração para a qual o videoclipe era uma obsessão (hoje não é mais). Tinha para todos os gostos, dos mais belos aos mais toscos, dos mais quadrados aos mais ousados. Mas a primeira vez que vi o de Subterranean Homesick Blues fiquei chapado, ainda que tivesse sido produzido tanto tempo atrás.

Atualmente, Bob Dylan é tão comum quanto um fato qualquer da natureza, mas tente imaginar o que significou fazer um clipe desses há 44 anos. Por isso e por outros motivos, o sujeito virou a música pop de cabeça para baixo. Se hoje qualquer rodinha de violão costuma ter uma daquelas músicas da Legião Urbana sem refrão, mas que viraram sucesso popular, é graças em boa parte a Bob Dylan. Ele influenciou até Beatles e Stones – Rubber Soul e Beggars Banquet que o digam. E Subterranean Homesick Blues continua a render frutos, alguns deles explícitos.

A letra é um fluxo de palavras típico de Dylan, um turbilhão em pouco mais de dois minutos, com referências a LSD, luta por direitos civis e o escambau. Mais sobre a letra, a música e o vídeo na Wikipedia e no All Music.

Abaixo, três versões do clipe, que apareceu originalmente num documentário sobre uma turnê de Dylan na Inglaterra. As duas primeiras têm a participação luxuosa do poeta Allen Ginsberg, o barbudo no canto esquerdo do vídeo. A “alma beat”, aliás, permeia clipe, letra e música. O título pode ter sido inspirado em Subterraneans (Subterrâneos, no Brasil), livro magnífico de Jack Kerouac, bem melhor que o chato e tão incensado On The Road.

Subterranean Homesick Blues foi lançada no álbum Bringing It All Back Home, de 1965.

 

Subterranean Homesick Blues no beco…

… no parque…

…e no terraço

2 Comments

  • Veio em BH e eu não fui. Quem foi não gostou, mas era obrigação ir. Tenho um karma ruim para resolver por isso. Mas eu quero falar de outra coisa. Bob Dylan é uma coisa americana. Suas raízes são essencialmente americanas. Por isso, ouvindo, por exemplo, modern times, de 2006, portanto quase 40 anos depois de subterranean, é ainda difícil de digerir, com todas essas referências ao folk, ao blues, e aos outros ritmos da américa rural. Uma música maravilhosa, essa working man blues #2. E Spirit on the water também é super bacana. Thunder on the montain tem um pé rock identificável. Mas quando você vai para Rollin ´n tumblin já é uma outra onda, fora do meu radar. E beyond the horizon é uma coisa big band.
    Quero dizer que Dylan é muito mais branco que negro, muito mais suburbano que gueto, mesmo impregnado de blues. O que, na prática, facilita a identificação com seus anos de rebelde e aquela coisa anos 60, mas exige muito mais para a leitura da produção recente.

  • E outra… nada mais nada menos ele INVENTOU o video clip com esse Subterranean Homesick Blues.

    Bob Dylan é americano e sim, eles se entendem por lá, mas não tem como negar que é uma fonte de inspiração absoluta tanto em arte quanto em comportamento. Sou fã. Suspeito.


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